
Pensei que era viciada em escrever, consegui viciar-me em ler
Parece tão mais seguro ver a história por fora, mas deixa demasiado a desejar, é tão mais tentador ver a história por dentro
Viver a história por dentro, lê-la de fora mas com uma escuta nos bastidores
Observar a vida pelo uma câmera de vigilância
Enquanto se é obrigada a vivê-la em paralelo
Ou a tentar vivê-la
Eu sei lá
Não sei fazer publicidade
Não sei fazer histórias bonitas
Não quero publicidade
Apenas tento fazer dinheiro com isto por que parece que é a única coisa que faço.
Posso sempre fechar os meus textos num cofre selado arranjar um trabalho que pague a renda e enfim viver a vida paralela, ausentar-me quando ficar aborrecida, fico apenas no meu posto de vigilância a garantir que nada colapsa enquanto eu fico no meu cofre fechado no meu universo impossível
Não quero histórias bonitas
São tão falsas como aborrecidas como rapidamente se tornam tristes
São tristes de natureza
Uma história crua caótica confusa, como alguém. Alguém real.
Não uma história bonita de contos de fada com margens cor de rosa.
Odeio cor de rosa.
É falso.
Cor de rosa é falso.
São viciada em ler
Ler pensamentos
Ler os meus pensamentos
Não pensem que é tarefa fácil.
Nem que tento ler os vossos.
Ler os meus já é, acreditem, já é trabalho que chegue
Viciada em ler, ler cada estrofe de cada poema, ler cada capítulo de cada livro
Mas no fim escrevo
Escrevo porque não consigo evitar.
Escrevo porque.. porque escrevo
É assim que vivo, é essa a minha condição, se não puder escrever… bem se não puder escrever então…
Não tenho resposta
Suponho que se tivesse uma boa memória
Nah.. não funciona. Não funciona porque além de ser inútil, não seria para sempre
Escrever não é só eternizar
Escrever é criar.
É deixar fluir
Se cortares o pensamento
O pensamento acaba
E a criação não existe
Wow agora foi mesmo fiquei sem palavras foi isso
Às vezes fico parva com os sítios que as palavras me levam é como se escreve-se apenas como intermediária apenas escrevo o que alguém me dita
E é como se ganha-se consciência de que quem dita sou eu…
Quem escreve apesar de tudo sou eu…
Sou eu, só eu e as vozes da minha cabeça, só eu e os pensamentos que teimam em não me deixar dormir
É como se às vezes ganha-se consciência e ter de pensar o que…escrever a seguir.
Sendo que quando penso no que escrever a seguir penso o que escrevi antes
E quando penso o que escrevi antes penso porque é que comecei a escreve-lo e quando penso porque é que…
Perco me no mar de pensamentos por onde já passei e esqueço-me de como começou
É como uma discussão, suponho.
Começas a discutir sobre batatas e acabas por dizer: a vida não é morango.
Sinceramente nem sei de onde é que veio isto mas a vida certamente não é um morango.
Enfim acho que me perdi.
Não sei se alguma vez me encontrei ou se o farei
Mas…continuo por aqui.
Talvez seja este o meu propósito, talvez possa, eu sei lá não sei mesmo…
Pensei demais, questionei demais.
Dormi de menos.
Desculpem se me apanharem de surpresa no meu posto de vigilância, sou capaz de ter um curto circuito.
Mas enfim a vida continua
Eu continuo aqui..
Não sei bem a fazer o que, mas continuo aqui.
Ah, talvez vos possa entreter..
Ou fazer pensar.
Engraçado, é o que normalmente dizem sobre a arte.
Será que sou artista?
Que pergunta… se não sou artista sou maluca por isso prefiro artista, é mais chique.
Lembro desta frase, não sei bem de onde..
“Queres ser ator ou esquizofrénico?”
Porque é essa a linha, não é?
A linha entre… A linha entre os nossos “problemas” e a nossa arte.. a linha entre o espelho e o reflexo, sabem a linha entre sonhar e estar acordado.
É essa a linha, não é?
A linha entre uma doença sem cura, e uma cura sem doença.
A linha entre…um vício e um refúgio
Um medo e uma necessidade
Uma paixão e uma obsessão
É essa linha, não é?
Às vezes penso nisso…
Em qual será essa linha e em quão perto estarei de a romper
Leave a Reply