
Escrever não é opção
É cura
Escrever não é opção
É refúgio impingido
Escrever não é opção
É reflexo
É ler as entrelinhas do contrato com o próprio cérebro
É ler nas entrelinhas da própria complexidade da mente, do mundo, do amor, de tudo o que se sente se pensa ou se pensa que sente
Escrever nunca foi opção, nem nunca será
Escrever não é uma profissão
Escrever não é uma paixão
É uma necessidade
Que às vezes pode parecer uma maldição
E às vezes um dom
É refúgio do mundo
E é um alerta para o mundo
O livro é tão confuso de escrever como de ler
Confuso em sentidos diferentes
Se como leitor não entende o que lê
Imagine como escritor não entender o que escreve
A escrita não dá desculpas, não pede por favor, não vê horas, lugares nem pessoas à volta
Vê letras que precisam estar no papel ou sair do teclado
Sair do teclado devidamente ordenadas, caoticamente ordenadas ou desordenadas
Com um ou vários sentidos ou nenhum
Dificilmente é nenhum talvez seja apenas indefinido, não identificado, confuso, intitulado
Mas dificilmente ou diria até nunca sem motivo
Nunca sem causa ou sem consequência
Nunca sem sentido
Pode apenas seguir por linhas tortas
Caminhos irregulares
Caminhos que nem se parecem com caminhos
Às vezes parecem-se com penhascos
É, são mais penhascos do que caminhos
Mas se pensarmos um penhasco pode ser um caminho um caminho para baixo ou para cima
Um caminho que tem um fim
De qualquer das formas é um caminho, certo?
Bem passa a ser um caminho
Escrever é simplesmente natural
Ou subnatural
Se calhar é mais isso
Ou é simplesmente simples
Simplesmente caótico
Como deve ser.
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